Questões da Prova da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM-SP) - Aspirante da Polícia Militar (2019)

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“Democracia” é, como se sabe, uma palavra grega. A segunda metade da palavra significa “poder” ou “governo” [...]. Démos era uma palavra de múltiplas significações, entre as quais “o conjunto do povo” (ou, para ser mais preciso, o corpo de cidadãos.)

(Moses I. Finley. Democracia antiga e democracia moderna, 1976)


Considerando o excerto e conhecimentos sobre a história dos sistemas políticos, é correto afirmar que a democracia foi

  • A baseada na igualdade econômica dos indivíduos.
  • B derivada das relações internacionais pacíficas entre Estados.
  • C concedida às populações empobrecidas pelas elites militares.
  • D adotada diversamente ao longo das experiências sociais.
  • E garantida pela permanência da tradição cultural clássica.

Três fenômenos maiores podem explicar a concepção e a percepção da guerra na Idade Média, bem como o papel privilegiado reservado às armas e aos homens de armas [...]: primeiro, o fim do Império Romano do Ocidente e, com ele, o fim de uma época em que a ordem, a paz e a justiça estavam garantidas; em seguida, a rude intromissão no tecido sociocultural, inicialmente romano e cristão, de povos com tradições e concepções germânicas que não permitiam distinguir entre direito civil e uso militar da força; enfim, os longos séculos de desordem e de violência que se abateram sobre a Europa.

(Franco Cardini. “Guerra e cruzada”. In: Dicionário analítico do Ocidente Medieval, vol. I. Jacques Le Goff, Jean Claude Schmitt (Orgs.), 2017)


Como decorrência dos três fenômenos referidos pelo excerto, a Idade Média Ocidental caracterizou-se, em grande parte de sua vigência,

  • A pela aliança das monarquias nacionais com os Estados Pontifícios, com o objetivo de possibilitar a sobrevivência do feudalismo.
  • B pelo exercício do poder político-militar em múltiplas unidades feudais, em prejuízo do poder central.
  • C pela ruptura da unidade religiosa do continente europeu, com a propagação dos movimentos de contestação do cristianismo na sociedade feudal.
  • D pelo controle dos senhores territoriais pelos reis absolutistas, com a suspensão dos torneios militares dos nobres feudais.
  • E pela permanência do capitalismo nas cidades, em contraposição à introdução do feudalismo na Europa pelos povos bárbaros.

As exportações de algodão aumentaram de maneira vertiginosa de 1790 a 1860. Em 1820, os Estados Unidos já haviam se convertido no maior produtor mundial de algodão e uns dez estados e territórios dependiam em grande medida do sistema de plantações.

(Philip Jenkis. Breve história dos Estados Unidos, 2017. Adaptado)


O aumento da produção de algodão nos Estados Unidos foi condicionado por alguns fatores, entre os quais

  • A a Revolução Industrial e o aumento da exploração da mão de obra escrava.
  • B a natureza da colonização inglesa e a manutenção do pacto colonial.
  • C a unificação do país pelo governo central e a abolição da escravidão.
  • D a anexação de mercados no oeste e o emprego massivo da mão de obra imigrante.
  • E a consolidação do capitalismo na agricultura e a adoção da pequena propriedade.

A ênfase fortemente regionalista dos inconfidentes inclinava-se, às vezes, para o nacionalismo econômico. Isto era mais explícito nos pronunciamentos do alferes Tiradentes, embora ele não estivesse isolado em tal posição. Silva elogiava a beleza de Minas e apontava seus recursos naturais. Livre, republicano, industrializado, continuava o propagandista, o Brasil não teria necessidade de importar mercadorias estrangeiras.

(Kenneth R. Maxwell. A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira, Brasil – Portugal, 1750-1808, 1978. Adaptado)


Os projetos defendidos pelos inconfidentes podem ser explicados pela conjuntura histórica de

  • A reafirmação da prática econômica mercantilista e de instauração na metrópole portuguesa do absolutismo monárquico.
  • B avanço dos movimentos socialistas de contestação social e de difusão da concepção de igualdade natural dos homens.
  • C consolidação das independências políticas latino-americanas e de retração das riquezas proporcionadas pelas exportações agrícolas brasileiras.
  • D crítica ao Antigo Regime europeu e de aumento do peso da exploração colonial com o declínio da produção aurífera.
  • E disputas econômicas entre metrópoles coloniais e de guerras permanentes entre economias industrializadas europeias.

Mesmo depois de inaugurado o regime republicano, nunca, talvez, fomos envolvidos, em tão breve período, por uma febre tão intensa de reformas como a que se registrou precisamente nos meados do século [XIX] e especialmente nos anos de 51 a 55. Assim é que em 1851 tinha início o movimento de constituição das sociedades anônimas; na mesma data funda-se o segundo Banco do Brasil [...]; em 1852, inaugura-se a primeira linha telegráfica na cidade do Rio de Janeiro. [...] Em 1854 abre-se ao tráfego a primeira linha de estradas de ferro do país.

(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1995)


Pode-se explicar essa intensificação das atividades econômicas do período pela

  • A política de emissão de papel-moeda concedida pelo governo às instituições financeiras estatais.
  • B expansão do mercado consumidor interno com a adoção progressiva do trabalho assalariado.
  • C disponibilidade de capitais para novos investimentos devido à abolição do tráfico internacional de escravos.
  • D suspensão das dívidas dos fazendeiros com os fornecedores internacionais de implementos agrícolas.
  • E abolição da mão de obra escrava acompanhada de indenizações estatais às empresas escravistas.